Marlene

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Textos


A Terceira Guerra Mundial começou há muito tempo e você nem sabia

(Um texto esclarecedor, lúcido, importante. De alguém esclarecido e gosta de esclarecer mentes.)



Em 1939, a Alemanha nazista invadia a Polônia e dava início a Segunda Guerra Mundial, com a ajuda decisiva do seu aliado socialista, a URSS. Em 1945, o maior conflito global de todos os tempos terminaria com a montanha de 70 milhões de mortes e o uso de armas nucleares pela primeira vez na história.

Hitler almejava uma sociedade dirigida por um governo central que controlaria todos os aspectos da sociedade, incluindo aí a produção econômica, levada a cabo por uma elite industrial vassala. Nada muito diferente do regime socialista liderado por Stalin. Hitler era inimigo do comunismo, é verdade, mas por motivos diferentes do que é ensinado nas salas de aula. No comunismo soviético, a liderança da sociedade deveria ser exercida pela “vanguarda do proletariado”, enquanto no nacional-socialismo de Hitler, a liderança deveria ser exercida pela “verdadeira” raça alemã. Hitler perseguia qualquer setor da sociedade que não fosse dessa raça, da mesma forma que Stalin perseguia qualquer setor da sociedade que fosse “inimigo” do proletariado na visão marxista. A versão original do socialismo soviético era internacionalista, em contraposição ao socialismo alemão nacionalista.

Tirando as nuances, os dois regimes são iguais. A maior prova é que a URSS repassou aos alemães a tecnologia dos campos de concentração, pois os soviéticos já matavam opositores e outros grupos indesejáveis em gulags desde a Revolução de 1917. Não fosse o pacto entre as duas potências da época, com a URSS fornecendo matéria-prima para a indústria alemã, além de tecnologia, inteligência e apoio político, provavelmente não haveria Segunda Guerra Mundial.

Aponto esse fato apenas para explicar o momento de declaração não oficial da III Guerra Mundial: dia 29 de agosto de 1949. Foi nesse dia que a URSS detonou a sua primeira bomba nuclear, produzida com base em projetos roubados por espiões infiltrados no Projeto Manhattan.

A partir desse momento, com as duas potências mundiais possuindo armas que garantissem a mútua destruição, a guerra passou a ter outra cara: um conflito baseado em inteligência e contra-inteligência e na luta cultural pelos “corações e mentes”. Como não era mais possível obter uma vitória militar, a vitória viria do convencimento do público sobre qual projeto de poder deveria ser seguido pela humanidade.

Pela própria natureza do seu projeto, os soviéticos estavam em vantagem “militar”. Afinal de contas, um regime baseado em mentiras e que sobrevivia na base da falsa propaganda e no mapeamento e controle dos polos de poder intelectual teria as ferramentas mais adequadas para lidar com esse tipo de conflito.

Os Founding Fathers criaram os EUA com base na tradição conservadora, absorvendo valores judaico-cristãos e aproveitando a experiência de séculos da democracia representativa inglesa, com influência positiva do liberalismo clássico.

O resultado foi um sucesso estrondoso. O nível de liberdade individual e prosperidade social alcançados nos EUA não tem paralelo no mundo, especialmente num país dessa extensão e população. Um país que viveu na maior parte do tempo um verdadeiro Estado de Direito.

Já a URSS foi desde o primeiro dia fruto de uma cultura revolucionária, na crença que a ordem estabelecida no mundo é injusta e precisa ser destruída, para que uma nova ordem seja criada, supostamente com base na igualdade. A lógica marxista e suas derivações formam a base filosófica desse movimento.

A proposta é muito atraente: criar o paraíso na Terra, um sistema onde há liberdade absoluta e recursos para todos, divididos de forma igualitária. Um sistema sem governo e sem governados. É uma promessa extremamente atrativa para os medíocres: você não é um fracassado por falta de esforço ou capacidade. Você é um fracassado porque está sendo explorado pelo sistema. O seu único objetivo de vida deve ser lutar contra esse sistema!

Apesar de ser muito sedutora, a proposta é falha, como foi demonstrado na prática em todas as suas tentativas de aplicação. Von Mises já provou de forma definitiva como a economia planifica simplesmente não funciona. Para fazer planejamento central, é preciso definir o preço de cada mercadoria e serviço. Sem livre mercado, é impossível definir o preço corretamente. Sem definir o preço corretamente, é impossível fazer planejamento central. Ponto. Tanto é que no final das contas, todos os regimes socialistas no mundo não passaram de regimes capitalistas controlados pelo Estado.

Do ponto de vista de estrutura social, fica claro que a mudança da ordem natural vigente na sociedade, resultante de milhares de anos de evolução, só pode ser alcançada de forma radical com a criação de um poder central gigantesco. Esse poder central precisa ser exercido por seres humanos, com todas as suas falhas, entre elas a tendência ao vício. E como dizia Lord Acton: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”.

Ou seja, por mais “nobres” que sejam os objetivos de uma revolução, eles se perdem no processo revolucionário, sendo que a obtenção e manutenção do poder alcançado nesse processo passam a ser os verdadeiros objetivos. Exatamente por isso qualquer comunista justificará os mais horrendos crimes cometidos pelas suas nobres intenções em criar o “paraíso na Terra”. Se for perguntado para o comunista quando acontecerá, ele dará de ombros. A resposta correta é nunca, justamente pela inconsistência lógica das suas premissas.

Além disso, não há nada de nobre em querer impor a sua visão sobre como o mundo deve ser de maneira agressiva, produzindo mudanças profundas na sociedade que nunca deram certo em nenhum lugar ou tempo. Quando Lênin liderou a Revolução Russa, ele pelo menos tinha a desculpa de que nada assim tinha sido tentado antes. Hoje, qualquer defensor dos mesmos ideais não pode utilizar essa mesma desculpa, depois da montanha de mais de 100 milhões de mortos e do sofrimento infinito criado por eles.

Se já foi provado de forma inquestionável a impossibilidade de sucesso de um regime socialista e o posterior alcance de uma sociedade comunista, por que tal ideia persiste como a principal força política do mundo hoje?

Temos que voltar ao mundo pós descoberta da bomba nuclear e a guerra entre o mundo livre e o projeto totalitário, representados respectivamente pelos EUA e pela URSS. Os soviéticos perceberam mais cedo e tinham mais ferramentas a disposição para lutar a guerra cultural. As suas batalhas foram travadas com tinta e não com bombas.

Tivemos décadas de infiltração nas universidades, escolas, sindicatos, igrejas, organismos internacionais como a ONU e nos próprios governos ocidentais. Sem contar as redações dos principais jornais, a influência sobre escritores, roteiristas, diretores de cinema e artistas mais variados.

Seguindo o que ocorreu na URSS, eles formariam a intelligentsia, a vanguarda intelectual que promoveria a revolução com o objetivo de “libertar” o ser humano de uma estrutura social injusta e ultrapassada. Alguns integrantes desse grupo trabalhavam pela causa, a maioria pelo dinheiro e poder alcançados na defesa da causa.

O senador Joseph McCarthy apresentou já no início da década de 50 uma figura muito clara do grau de infiltração soviética no governo americano e em instituições não governamentais e nos seus meios culturais. Hoje o termo “macartismo” é sinônimo de perseguição injusta. Apesar de alguns excessos praticados por McCarthy, hoje sabemos que praticamente todas as pessoas “perseguidas” por ele de fato tinham laços profundos com o Partido Comunista.

A base filosófica dessa nova etapa da revolução foi desenvolvida pela Escola de Frankfurt, um grupo de pensadores socialistas que defendiam a “Teoria Crítica”, a interpretação do mundo como uma guerra de classes e a utilização de qualquer meio de expressão para expor as injustiças.

Os valores morais seriam apenas ferramentas do grupo dominante para exercer o seu poder. Por exemplo, qualquer senso de decência sexual deveria ser combatido, através da “liberação” sexual, representada pela entrega de todo seu humano aos seus mais básicos instintos animais.

Segundo esses sujeitos, a repressão sexual era uma forma dos homens oprimirem as mulheres, mantendo de pé o “patriarcado”. O feminismo e a liberação sexual das mulheres seria então um ato revolucionário. O objetivo verdadeiro é um só: a destruição da família tradicional, uma das bases da sociedade. Sem uma família, as pessoas teriam que contar com um Estado paternalista. Não é por acaso que as mães solteiras americanas votam em peso em candidatos democratas. O homossexualismo não deveria apenas ser respeitado como opção individual. Ele precisa ser alçado a condição de comportamento sexual desejável e até mesmo imposto a crianças, através da monstruosidade da política de identidade de gênero, por exemplo.

A religião é outro alvo preferencial dos revolucionários. Ela representaria um traço arcaico e ultrapassado da sociedade, um instrumento de poder conservador. Recentemente essa postura foi modificada, com a exaltação e defesa do islamismo, pois o Islã tem em comum com a esquerda o objetivo de destruir a Civilização Ocidental. O ataque ao cristianismo a ao judaísmo continuam.

Na visão da Escola de Frankfurt, os criminosos também deveriam ser tratados de uma forma diferente. Eles não seriam os responsáveis pelos seus crimes, mas sim vítimas de uma sociedade opressora. Cometer um crime seria um ato revolucionário, algo a ser aplaudido. Em quantos filmes de Hollywood vemos criminosos como heróis e policiais como bandidos? O ex-presidente Obama perdoou mais condenados que a soma de todos os outros presidentes americanos!

O esquerdismo moderno também utiliza qualquer tensão racial existente ou cria alguma de forma artificial. Os negros são os eternos explorados pelos brancos malvadões, os índios de calça jeans e Iphone na mão devem receber milhões de hectares de terra, destruindo a soberania dos países, pela agressão que sofreram centenas de anos atrás.

A soberania nacional é um dos alvos mais claros. A esquerda defende a concentração de poder em órgãos multinacionais, como a União Européia ou como a ONU, gerenciados por sujeitos que ninguém elegeu ou mesmo conhece, burocratas que aumentem impostos e expandam o seu poder através de regulamentações e leis cada vez mais detalhadas, definindo todas as ações e relações humanas, soldados obedientes da revolução.

Já havia passado quatro décadas do início da Terceira Guerra Mundial quando ela parecia ter chegado ao fim. A queda do Muro de Berlim e consequente desmembramento da URSS alguns anos depois sugeria que a Civilização Ocidental havia prevalecido. Ledo engano.

O Ocidente vencedor já era uma casa podre, infestada pelos cupins socialistas há décadas. Enquanto os conservadores comemoravam, a esquerda se reorganizava, aproveitando a guarda baixa dos seus oponentes e a posição privilegiada em praticamente todas as esferas de poder, graças ao sucesso do gramscianismo e do fabianismo, mais conhecido como social-democracia.

A década de noventa foi marcada pelo domínio completo da social-democracia na Europa, no Estados Unidos e na América Latina. A China comunista começava o seu processo de abertura econômica para o mundo, vendendo os serviços quase gratuitos de uma população empobrecida por décadas de maoísmo.

Houve um surto de liberalismo econômico que produziu muita riqueza, ao mesmo tempo que observamos os Estados concentrando cada vez mais poder, através de maiores impostos e regulamentação, com uma população cada vez mais dependente de bolsas e outros “benefícios” sociais.

Ao mesmo tempo, houve um ataque ao Estado-nação, em benefício de entidades como ONU e UE. No front cultural, a guerra já estava praticamente ganha. O politicamente correto, a “defesa” das minorias, o multiculturalismo, o feminismo, o gayzismo, a condenação da tradição judaico-cristã, o direito “achado na rua”, a “justiça social”, o “jornalismo” ativista e a redistribuição de renda eram a nova normal.

A Terceira Guerra Mundial estava praticamente ganha pela esquerda globalista.

Há apenas um problema para a esquerda. O grupo que foi de fato oprimido nesse processo todo não está nem um pouco feliz. É o grupo formado pela classe média que trabalha duro para pagar os seus impostos cada vez mais altos e que observa os seus valores individuais sendo destruídos pelo processo.

São pessoas que tem princípios morais elevados, cuidam da sua família, amam a liberdade e a livre-iniciativa, adoram a Ordem e a Lei. Elas amam os seus valores e o seu país. Cansaram de ser atacadas diariamente pela esquerda.

Pessoas desse tipo se levantaram contra o bolivarianismo na América Latina, retiraram o Reino Unido da União Europeia e elegeram Donald Trump nos EUA.

Sem dúvidas, as eleições americanas formam a batalha mais importante da III Guerra Munidal das últimas décadas. Ela representa uma derrota gigantesca da esquerda globalista, o que pode ser notado pelo grau de oposição que se levanta contra o novo presidente. Todo o establishment político e empresarial global, toda a grande imprensa, universidades, escolas, sindicatos, ONG’s, associações, artistas e cientistas entre outros grupos se colocam agressivamente contra Trump.

Apesar dos seus defeitos pessoas, da falta de diplomacia e certa truculência, Trump conseguiu reunir as forças da Civilização Ocidental contra o seu inimigo mortal, que é a esquerda socialista moderna. E conseguiu vencer!

Franjas da direita liberal ou conservadora que não percebem a natureza dessa guerra e se atém a detalhes como um certo isolacionismo trumpista, prestam um serviço ao inimigo ao não apoiá-lo.

Talvez Trump não seja o nosso líder dos sonhos, ou melhor colocando, ele está muito longe de ser um líder dos sonhos. Mas enquanto não tivermos uma nova encarnação de um Churchill, de um Reagan ou de uma Thatcher, é com ele que vamos.

Diante da ameaça de islamização do Ocidente com a ajuda da esquerda, ou da transformação do mundo inteiro numa ditadura socialista, só há um lado correto de estar nessa guerra. Quem não percebe isso é muito ingênuo ou ignorante, levado ao erro pela guerra cultural esquerdista, ou se coloca do lado do mal mesmo, por convicção pessoal ou em troca de algum benefício.



Leandro Ruschel

Compulsive reader and amateur writer. Financial markets, politics, philosophy and business

Leitor compulsivo e escritor amador. Mercados financeiros, política, filosofia e negócios
Leandro Ruschell
Enviado por MVA em 07/06/2017
Alterado em 07/06/2017
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