Marlene

Os versos, as rimas, os sonhos nos dão tranquilidade e paz!

Meu Diário
10/12/2006 20h18
Lembranças do 3º ano da escola primária
Como algumas frases nos levam de volta ao passado!
Com certeza, o mesmo acontece com poemas, leituras, desenhos, quadros...que marcaram algum momento de nossa infância ou adolescência.

Quando eu freqüentava o terceiro ano ( terceiro ano cabeça de pano...)tinha uma professora de lingua portugesa muito especial. Ela devia gostar muito de poesia e,dos dos clássicos. Escolheu um livro de leitura que era repleto de histórias dos clássicos da literatura, e na classe nos fazia declamar.

Um poema em pespecial me chamou a atenção e até hoje não consigo ntender por quê. Era o poema de Alvarenga Peixoto -Bárbara Eliodora.

Até hoje não dizer porque esse poema nunca mais saiu de minha memória. Pelo menos aquele fragmento que vou escrever aqui e registrar.

Bárbara bela,
Bárbara bela,
do Norte estrela,
que o meu destino
sabes guiar,
de ti ausente,
triste, somente
as horas passo
a suspirar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
(...)
Tu, entre os braços,
ternos abraços
da filha amada
podes gozar.
Priva-me a estrela
de ti e dela,
busca dois modos
de me matar.
Isto é castigo
que Amor me dá.
Peixoto, Alvarenga [1865]. Poesias. In: Lapa, M. Rodrigues. Vida e obra de Alvarenga Peixoto. p.30-31.

Publicado por MVA em 10/12/2006 às 20h18
 
07/12/2006 11h04
Diferente
Diário

Diferente

Hoje ao olhar pela janela, o dia estava nascendo. O sol estava com preguiça; talvez quisesse descansar um pouco mais. As casas pareciam meio escondidas na sombra entre o sol e a noite. Os pássaros começavam sua cantoria, sua azáfama pra lá e prá cá, pulando de galho em galho, como que em oração de agradecimento pelo raiar do dia.
Mas de repente... Coisa estranha! Um galo cantou... longe... quase imperceptível... eu ouvi!
Era, realmente um galo! Mas como? Nunca havia percebido que onde morava existissem galos. Mas era um galo. Cantava alto agora, mais próximo. Fiquei pensativa porque morar num lugar há tanto tempo e descobrir que há um galo nas redondezas, saudando as manhãs, é, no mínimo, intrigante.
Nesse momento fiz aquela viagem retrospectiva, voltando aos tempos de criança , quando era mais do que comum vermos galos, galinhas, perus, ganso... A memória buscou fatos de quarenta anos atrás, nada agradável de um lado e do outro bem , bem agradável e trouxe saudades, de um tempo que não volta mais. O tempo da correria sem malícia pelas ruas, as brincadeiras de esconde-esconde, de passar anel, de ... tantas que fazem a nostalgia assumir o seu lugar no coração.
Vem a figura materna, trabalhando dura para cuidar de filhos, casa, quintal, trabalho doméstico em casa alheia para ajudar no sustento da casa. A figura da mãe transborda em saudade.
Ao lado da figura materna vem do pai, robusto, correndo atrás das aves, para trazer-lhe para dentro do cercado, pois haviam fugido. A correria das aves, a correria de meu pai trouxe de volta os momentos daquele tempo. Momentos bons. Momentos desagradáveis, mas não sofridos.
Mais um canto do galo distante nesse fim de mundo em que vivo agora e acordei dos pensamentos distantes e comecei a pensar na vida atual. Aquele galo trouxe-me de volta à realidade. O dia amanhecia e era preciso recomeçou as tarefas do dia-a-dia. Ele traz a realidade, começou com um canto distante, talvez para não assustar, teve cuidados com os dorminhocos para acordarem com suavidade! Não quis de sopetão mostrar que iam ter de enfrentar as enchentes, o trânsito, congestionado, ônibus apertado.
_ Clama! Calma! Ele grita no seu tom afinado. Peça a Deus a paciência necessária que tudo se resolverá numa boa!
_ Clama! Calma! O galo grita novamente.
Saio da janela e um pássaro entra saúda a casa como que abençoando e vai embora.
Será que era um bom espírito abençoando a casa e os “acordantes”?
Nesse exato momento não sei porque me lembrei de um poema de João Cabral de Melo Neto:
Um galo sozinho não tece uma manhã;
Ele precisa sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

Esse galo – ave- estava só. Mas tentou acordar outros galos- humanos- que precisam estar unidos, solidários, fazendo com que a manhã seja rendosa de prazeres espirituais. A manhã está sendo tecida, sim, com os fios do amor divino. Fios firme, tesos, para que possamos nos agarrar a eles e não esmorecer aos perigos, às “tentações” do dia.
Ao galo que me despertou saudades, mas não tristezas, meu bom dia! Ao pássaro que veio me visitar logo cedo batendo suas asas alegras, meu bom dia!. Ao sol que surge atrás do morro, bom dia! À Natureza toda , Bom dia! Aos que estão acordando nesta casa para o trabalho diário seja onde for, Bom dia! Bom dia aos leitores deste texto! Tenham uma ótima manhã. Como diz o texto um galo sozinho não consegue fazer grande coisa, não vai longe. Ele precisa de outros e mais outros.
E se nos tornássemos galos cantores, mas, mais próximos de cada um.

Publicado por MVA em 07/12/2006 às 11h04
 
07/12/2006 02h47
Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo - Marisa Lajolo - Editora Ática - 1993
O Livro de Marisa Lajolo, publicado pela Editora Ática, no ano de 1993, fala sobre a importância de se entender a leitura e como fazê-la, e mais como a leitura é parte integrante da vida das pessoas. É um livro indicado para professores de ensino fundamental I e II pois trabalha a questão de leitura para o mundo e do mundo para a leitura . Essa integração esta inserido na literatura seja clássica ou as mais hodiernas.
Já na introdução ela nos cerca dizendo que ninguém nasce sabendo ler: que se aprende à medida que se vive. Ler livros se aprende na escola, mas outras leituras por aí , quer dizer na vida, vivendo essa leitura que independe de aprendizagem escolar acontecendo na interação com o mundo, a cada respiração.
A autora diz que lemos para entender o mundo e entendemos o mundo através da leitura, num círculo, numa prática circular infinita. Ela afirma, ainda na introdução, que a leitura é fonte de prazer e de sabedoria, que a leitura não esgota seu poder de sedução nos estreitos círculos da escola. A escola mostra o caminho, orienta essa pesquisa inicial. Nessa introdução ela sugere reflexão teórica, a abordagem histórica e a análise textual que constituem trajeto seguro e paisagens sedutoras na tão necessária travessia do mundo de leitura à leitura do mundo.
Já no capítulo I Leitura Literária na Escola ela diz que falta inspiração e elegância nos textos dos livros didático e paradidáticos que parecem seguir apenas a moda do momento e cita ao iniciar o tópico com um fragmento do texto de Barthes: Se, por não sei que excesso de socialismo ou de barbárie, todas as nossas disciplinas devessem ser expulsas do ensino exceto uma, é a disciplina literária que devia ser salva, pois todas as ciências estão presentes no monumento literário”. Ela concorda com ele, pois que a literatura perpassa todas as disciplinas, é multidisciplinar, transversal também.
A autora explica que não se está fazendo uso adequado dos textos literários, pois que as discussões pedagógicas deixam de lado a concepção de literatura propriamente. Seleciona alguns argumentos colhidos de professores de várias escolas que poderiam ser do Brasil todo, as falas são iguais, as angústias as mesmas, implicando no descaso e no desinteresse dos alunos pela leitura e do desânimo dos professores. Acredita que seja a prestação de contas da leitura feita, dos deveres, tarefas, e obrigações que fazem o desencanto e o amargor das literaturas . Cita Fernando Pessoa que num poema declara sua aversão à leitura solidarizando-se com que não gosta e das ditas tarefas que ele chama de papéis pintados com tinta.
Para a autora do texto, o professor não é mais que um propagandista de um produto , a leitura, e das editoras, após ter conhecimento, pela pesquisa que fez, de algumas expressões que ela considera dura e cinzenta: trabalho árduo, atividade exigida, leitura obrigatória... que põe a perder a especificidade da literatura.
Não existem técnicas milagrosas para o convívio com um texto e o que se proclamar que a encontrou é mistificação porque apenas provoca o desencontro do aluno leitor com o texto.
Para Marisa Lajolo o professor deixou de ser o responsável por elaborar e planejar suas aulas, visto que isto está a cargo das editoras, dos livros didáticos e paradidáticos, que o professor nos dias atuais segue um script alheio e sem a sua participação. Todas as atividades que o professor faz em sala de aula, em nome da motivação de ler, é sem importância, que o mais importante é o contato solitário e profundo que o texto pede. Ou o texto dá um sentido ao mundo, ou ele não tem sentido nenhum.
Para a autora é preciso contextualizar historicamente o texto que se lê, o que é quase impossível em fragmentos de texto, nos quais não se têm conhecimento do que veio antes e não se tem conhecimento do que o texto quer dizer para concluir, deixando a leitura periférica, sem graça, espantando os leitores e desacreditando o autor do texto literário.
Mas é preciso continuar a ajudar os alunos a superar esse impasse que poderá cumprir da melhor maneira o espaço de liberdade e subversão, que em certas condições está inserido no texto literário: a realidade do mundo.
Quanto a literatura infanto-junvenil, deverá ser incluída no item formação profissional do professor, pois ele ainda não tem claro a função da escola quanto à competência lingüística que o aluno deve dominar ao sair da escola.
Marisa Lajola afirma que a questão está muito embaralhada no âmbito da escola: Há correntes que afirmam que o professor não deve corrigir o texto do aluno, que ele deve deixar o aluno escrever como fala, que a escola deve respeitar o dialeto do aluno, que a redação não deve ter nota e outras afirmações que sem contexto ficam sem sentido, pois o professor querendo melhorar suas aulas, propõe exercício vários numa metodologia desenvolvida às presas, sem nexo que ficam aquém das expectativas da comunidade em face da escola.
Claro que listagem de verbos, de plurais, é sem sentido. A autora não defende voltar aos tempos de redações simplórias, repetitivas. A vontade democrática da escola foi nublada pelo populismo, e estamos todos perplexos com a colheita do que foi plantado nas escolas e se tenta corrigir os rumos, resgatar o que já foi muito adiado: projeto de democratização e qualificação da educação brasileira.
Em primeiro lugar é preciso inserir a história das questões educacionais no diz respeito ao texto: Literatura Infanto-Juvenil. Não há formação para os professores nesta área. Essa falta de formação pedagógica é histórica conforme mostra um fragmento de texto do ano de 1835 que comparava as ações educacionais brasileiras com as ações de Bolívar. Este financiou a capacitação de professores de primeiras letras antes de se pensar em universidades, e já naquela época o Brasil negligenciava o ensino primário pensando nas universidades. Alguma coisa em comum com os dias atuais? Mera coincidência. Depois que a criança está deformada, que o osso cresceu disforme o acerto é quase impossível ou então para além de demorado.
Outro texto de 1863 conta que um pai leva o filho à escola e recomenda que não perca tempo com o Português, que ele sabe, (que aprendeu com a ama com concordância equivocada ) que aprenda o francês, que não sabe. Esse é o registro que Marisa Lajolo faz sobre descaso com a literatura infanto-juvenil.
Outro texto datado de 1870 endossa as críticas ao idioma nacional e já naquela época as crianças saíam das escolas na mais lastimosa ignorância ( faltavam livros ) e sem dar importância à qualidade do que liam – não tinham condição crítica para tanto.
Para a autora, o professor de Português deve dispor de uma boa noção de linguagem, que inclua seus aspectos sociais , psicológicos, biológicos, antropológicos e políticos. Ele deve ser usuário competente da modalidade culta da Língua Portuguesa, ser um poliglota:precisa dominar com competência várias modalidades de linguagem de forma que, se disser nóis vai e se escrever paçarinho irá fazê-lo por opção consciente e não por desconhecimento de outras opções. Fantástico essa colocação de Lojolo. Hoje nas escolas além do problemas fonológico que muitos trazem para a profissão há o cotidiano inconsciente que “deve ser respeitado” .
Marisa Lajolo enfatiza com muita propriedade a importância do Professor de Português estar familiarizado com uma leitura bastante extensa principalmente a brasileira, a portuguesa a africana, das nossas raízes. Dever ser um leitor e freqüentador de clássicos, conhecê-los, mesmo que não goste. E saber explicar.
O professor dever conhecer a história da Língua Portuguesa no Brasil, da alfabetização, da leitura e da literatura na escola pois assim poderá aperfeiçoar os caminhos para seu próprio trabalho e ajudar aos outros educadores, seus colegas uma parceria solidária.
Não representa ajuda ou solução qualquer tipo de incorporação isolada ao currículo de formação dos professores a literatura, porque não há varinhas de condão mas é importante essa inclusão no currículo porque o iniciará no estudo do que já faz na classe: leitura de conto de fadas e que é importante outras medidas para que isto dê resultado.
Por exemplo: Compreensão que a literatura infanto-juvenil é um produto que chegou tarde no Brasil e na pedagogia escolar, e que só está sendo possível este estudo porque a sociedade percebeu sua importância através das leituras de Perrault.
Também a noção de criança com o tempo é alterada. A criança de Rousseau não é a mesma de Perrault, houve alterações de comportamentos de visões através dos tempos em uma construção social própria até aos dias de hoje. O mesmo aconteceu com os jovens. E o professor de Português precisa conhecer essas situações modificadoras para saber ler e ver nas linhas e entrelinhas de um texto que ele pode ser lido por uma criança ou por um jovem dependendo da construção social em que ele estiver inserido; o mesmo livro pode ser lido por um ou por outro . E o professor atento, bem formado e informado, através de seu curso de Letras ou de Pedagogia, será capaz de perceber essas nuances não deixando as noções provisórias o assustarem, construindo sua própria estabilidade, a sua maneira de ser e ver, discutir o currículo e a importância dele ou de outra disciplina sem susto.
Fica uma pergunta para uma possível resposta. Se o livro de Marisa Lajolo é tão real, fala de assunto tão importante, que é a literatura, a leitura, porque nunca foi dado a ênfase que merece pelas autoridades educacionais? Marisa abre um enorme leque de reflexões contundentes.

Publicado por MVA em 07/12/2006 às 02h47
 
07/12/2006 02h38
O problema do vestibular
Problema do vestibular

Não sei, não,se é bom para a população acabar com o vestibular.

Toda vez que querem mudar algo que está ruim, nunca é para melhor e sim, para pior.

A questão é: universidade para todos não há. Portanto deve existir uma solução, digo: seleção. E nada mais justo do que o vestibular.

Caramba ! A moçada de hoje em dia tem medo de concorrência? Ou é auto piedade?
Sim, porque estudar para entrar numa universidade não é brincadeira. É preciso ralar, mas ralar mesmo. Perder baladas, sábados nos bares, bailes, namoros, noitada até o dia raiar. Em suma: estudar! Ter disciplina. Saber o que quer.
Quem garante que esse jovem que está pleiteando o fim do vestibular teria condições mínimas de se formar um engenheiro, dentista, agrônomo, biólogo? Do jeito que a maré vai, vamos ter engenheiros que vão construir prédios que cairão no dia seguinte com o rumo que a educação tomou. Não há condições de um jovem ingressar numa faculdade sem ser pelo vestibular, com provas iguais para todos, conteúdo conhecido e divulgado para toda a população.

É caro, mas estudar sempre foi caro. Livros, revistas, jornais, cinemas, teatros, exposições, museus,música, todo um arsenal de conhecimento e cultura que eleva a vida cultural e escolar do estudante, é caro. É caro e é sofrido. Ver o amigo sair para a balada e dizer tenho que estudar para o vestibular é demais! Todos estão descansando e ele...estudando! Dizer não ou outro dia, para o jovem é muito, muito difícil.

Se acabar com o vestibular acabarão também as provas, ou os testes para o emprego após formado? Claro que não! Os empresários continuarão selecionando e exigindo cada vez mais e qualificando os recém-formados muito mal, porque assim justificarão os baixos salários que sempre pagam e pagarão.
È preciso ter disciplina para tudo nessa vida, nesse mundo de Deus. Disciplina que a moçada está querendo escapar e que o populismo está endossando... querendo votos.
É preciso pensar muito e de cabeça fria, sem emoções. O que será melhor? A priori sou contra o fim do vestibular. Acabar com ele não é modernismo na educação é remediar o irremediável.

Sempre fui aluno de escola pública, nunca paguei um cursinho, o mesmo aconteceu com meu marido, meus filhos. Alguns amigos, cunhada, sobrinhas. Fizemos vestibular, passamos, nos formamos, tivemos festa de formatura, com direito a foto e tudo mais.
Somos todos pobres, que vivemos de salários baixos, contendo despesas de todo lado para poder ter as conquistas do mundo moderno, com estudo, dedicação. O que tivemos foi, depois de vestibular concluído, pleitear bolsa de estudo junto á universidade. Bolsa de estudo para quem é pobre nunca faltou. Um ano é mais outro menos. Mas teve desde que fiz o Colégio Santo André lá pelos idos de 1966 e mais atualmente na Fundação Santo André.
Vestibular, sim!

Publicado por MVA em 07/12/2006 às 02h38
 
30/11/2006 01h18
Melancolia gostosa
Hoje acordei e não sei se sonhei, se ouvi ainda meio acordada uma canção que há muitos anos eu amo.
Lá pelos idos de 1965, quando eu funcionária da Rhodia, no setor em que trabalhava havia música ambiente instrumental. Nnguém podia cantar junto que a chefa vinha e usava o caderninho de advertências.
Essa música, Luzes da Ribalta, La Mer, eoutras tantas,faziam parte do repertório. Eu menina, ainda, quinze para dezesseis anos ficava sonhando, divagava... ia pra França, através do mar da música. Via Charles Chaplin com o seu chapéu, sua bengala, seu jeito engraçado.
Engraçado é como a minha chefe, na época ficava furiosa só de ouvir HUUU HUU sem nem mexer os lábios, somente no som... A mulher ficava irritava e desendava andar pela seção a procura da "cantora" que estava se distraindo ao em vez de trabalhar com atenção,ia atrasar a produção. Quando não descobria quem cantava, ela desligava o rádio pelo resto do dia. Era uma tristeza!Quanta castração! Quanto agressão nessa atitude! Um quê de nazismo...
Acontecia isso porque naquele tempo estávamos no começo da ditadura militar. o Autoritarismo era exacerbado.
Graças a Deus que para amenizar o clima de produção a todo e qualquer custo havia esse "disfarce de bondade". Das meninas da seção a mais vigiada era eu. Talvez a mais rebelde. Cantava essas canções acompanhando sem mexer os lábios e, quando a via descer do seu palanque à caça da atrevida que cantava e desafiava a direção, eu, de medo, de ser mandada embora, ficava "pianinho" mas morrendo de ódio de calar.
Deus me livre se perdesse aquele emprego por causa de desobediência ao chefe. Não quero nem pensar,o que meu pai faria naquela época!
Era necessário o emprego. Eu sou a mais velha de dez irmãos e todos precisavam de ajuda e não podia me dar ao luxo de enfrentar quem quer que fosse. Perigo de todo lado! Na rua, em casa, no trabalho, na escola.
Mas o que aliviava e muito era a música Luzes da Ribalta, nunca soube qual a orquestra que tocava ( era com orquestra).
Será que tive algum sonho, alguma recordação daquele tempo de forma inconsciente ? Acordei cantando-a mentalmente o dia todo.
Vou deixar registrado a tradução.

Luzes da Ribalta - Chaplin

Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão
Tentar aos outros iludir
O que se foi
Pra nos não voltará, jamais

Para que chorar o que se foi
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá, em outros corações.

Linda! É maravilhoso, me traz recordações, não digo tristes, mas... tristes. Lembro meu pais] carrancudo,
bravo, exigente ( puxei a ele); lembro minha mãe,
cansada de tanto ter filhos, a trabalheira da casa, a necessidade que passávamos, seu trabalho como empregada doméstica ( antes de eu começar a trabalhar) deixando em casa seis filhos por minha conta.
Quando comecei a trabalhar começamos a respirar um pouco. Diminuíram as ameaças de despejo...meu salário daquele tempo não sei nem a cor do envelope.
Passou. Tudo passou! Graças a Deus! ELE não faz tempo ruim eternamente.

Publicado por MVA em 30/11/2006 às 01h18



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